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FNAPF denuncia centenas de plantações ilegais de eucalipto em ZIF

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A Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), que congrega mais de 40 associadas, sobretudo na região Centro e Norte do país, está preocupada com o número cada vez maior de plantações ilegais de eucalipto em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), violando, desta forma, os planos de gestão florestal dessas áreas, que se constituem como um instrumento fundamental de ordenamento da floresta.

"Na prática o que está a acontecer é que os planos de gestão das ZIF estão a ser ignorados nos processos de análise e aprovação de novas plantações e rearborizações" garante o presidente da FNAPF, Vasco Campos, que acaba de pedir a intervenção do Ministério da Agricultura e Florestas, exigindo, no essencial, que as entidades gestoras de ZIF passem a ter acesso ao sistema de informação do Regime Jurídico das Ações de Arborizações e Rearborizações (RJAAR), "para não sermos surpreendidos com plantações ilegais como temos vindo a assistir".

"Neste momento, as associadas da FNAPF gestoras de ZIF não sabem o que se está a passar nos territórios sob a sua gestão e, mais grave, os Planos de Gestão Florestal das ZIF estão, pura e simplesmente, a ser ignorados na apreciação dos processos de novas plantações, o que põe em causa todo o sistema" denuncia Vasco Campos, que fala em centenas de novas plantações de eucalipto em áreas onde não é suposto estarem a ser realizadas, sem que as entidades que detêm a gestão florestal desses territórios sejam "tidas nem achadas".

O representante daquela federação de proprietários florestais deixa claro que esta não é nenhuma posição contra o eucalipto, mas sim, contra a forma "desordenada" e "descontrolada"  como as plantações desta espécie estão a surgir em áreas onde as suas associadas têm intervenção. Ora, "isto contraria tudo o que preconizam as ZIF e os objetivos com que foram criadas, remetendo os proprietários e produtores florestais a respeitar os planos de gestão aprovados para essas áreas". Ou seja " tanta exigência para a aprovação dos PGF e depois assistimos a esta incongruência com novas plantações a surgirem sem o nosso conhecimento", lamenta Vasco Campos, pedindo, de uma vez por todas, à tutela, para que as entidades gestoras de ZIF sejam ouvidas no processo de autorização de novas plantações, sob pena de verem diminuída a sua legitimidade e capacidade de atuação nos territórios sob a sua gestão. Para o dirigente da FNAPF não restam dúvidas que o "Estado tem estado a falhar redondamente na fiscalização destes processos", o que, a curto prazo, assegura, poderá ter reflexos na eficácia do funcionamento das ZIF, enquanto peça fundamental de uma política florestal assente  em projetos de defesa da floresta contra incêndios e no controlo de pragas e doenças, outro dos graves problemas que a mancha florestal nacional enfrenta.